Capítulo 1 - Entre Mares e Estrelas

No coração do sistema TRAPPIST-1, em um canto esquecido pela maioria das civilizações cósmicas, orbita TRAPPIST-1e, um mundo de contrastes e maravilhas, lar de Nether, um piloto interestelar com mais histórias para contar do que seu planeta tem mares. Neste globo rochoso, a vida não é apenas possível; ela floresce em matizes que desafiariam as paletas de qualquer artista terrestre.

Nether pertence à raça dos Vortai, seres esbeltos com pele que muda de cor conforme suas emoções, uma característica bastante útil em suas viagens diplomáticas e comerciais através das estrelas. Ele passa seus dias entre os céus estrelados e o solo de TRAPPIST-1e, um planeta cujas águas brilham com um azul profundo durante o dia e com um luminoso verde bioluminescente à noite, graças à vida microbiana que domina seus oceanos.

Um dia típico para Nether começa com o nascer de uma das três pequenas estrelas do sistema. A luz fraca e rubra penetra suavemente pela janela de sua cabine na nave, Dhalion, ancorada na órbita baixa do planeta. Ele começa com uma meditação matinal, sintonizando-se com as vibrações do cosmos, uma prática comum entre os Vortai para manter a harmonia interior e a clareza de propósito.

Após sua meditação, ele revisa as rotas comerciais do dia, ajustando os planos de voo para evitar tempestades solares ou encontros inesperados com asteroides errantes. O comércio entre os planetas do sistema TRAPPIST-1 e além é a espinha dorsal da economia de seu povo, e Nether é um mestre na negociação de contratos que são justos, mas sempre vantajosos para sua gente.

No meio do dia, Nether pode descer à superfície para se encontrar com outros membros de sua comunidade em cidades construídas nas encostas de montanhas baixas, protegidas dos ventos mais severos que varrem as planícies. Essas cidades são uma fusão de tecnologia e natureza, com edifícios que se assemelham a cristais crescendo em harmonia com a flora local, capazes de reciclar a água e o ar, mantendo um equilíbrio perfeito com o ambiente.

TRAPPIST-1e

As tardes são reservadas para voos de lazer ou missões de exploração nos Dhalions, pequenas naves espaciais que são uma extensão do piloto, respondendo ao seu toque e pensamento como se fossem um só. Nether adora planar sobre os vastos oceanos de TRAPPIST-1e, mergulhando ocasionalmente nas águas para nadar com as criaturas bioluminescentes ou coletar amostras para seus estudos.

O anoitecer traz consigo a dança das luas de TRAPPIST-1e, um espetáculo que nunca deixa de maravilhar. As noites são para o lazer, para compartilhar histórias e música sob o brilho suave das estrelas e das luas. Nether, com sua flauta feita do osso de um leviatã dos mares profundos, entoa melodias que falam das profundezas do espaço, do mistério dos buracos negros e da beleza silenciosa das nebulosas distantes.

Mas a vida de um piloto como Nether não é feita apenas de paz e beleza. Há perigos que espreitam nas sombras do cosmos, de piratas espaciais a fenômenos naturais inexplorados. Cada dia traz consigo a possibilidade de uma nova aventura, um novo desafio a superar. No entanto, é essa mescla de paz e perigo, de conhecimento e mistério, que torna a vida em TRAPPIST-1e tão extraordinariamente cativante.

E assim, entre as estrelas e os mares de TRAPPIST-1e, Nether continua sua eterna dança com o cosmos, um embaixador não só de seu povo, mas da própria vida, navegando pelas correntes invisíveis que conectam todas as coisas.

Na calada da noite, enquanto as cidades cintilam sob a luz das estrelas distantes e os murmúrios do oceano embalam os sonhos dos Vortai, Nether reflete sobre sua jornada até aqui. Não é a distância percorrida pelos motores de sua nave que o fascina, mas a jornada interior, a expansão de sua consciência através das infinitas maravilhas e horrores que o Universo oferece.

A vida em TRAPPIST-1e, apesar de sua beleza incontestável e de sua comunidade unida, sempre foi apenas o ponto de partida para Nether. Como piloto e explorador, ele sente a chamada do desconhecido, o desejo de cruzar a próxima fronteira, de desvendar os mistérios ainda não tocados pela luz da compreensão de seu povo. A Dhalion, sua fiel companheira de metal e circuitos, é mais do que uma nave; é sua chave para as incontáveis portas fechadas do cosmos.

No entanto, esta noite, enquanto Nether se prepara para o repouso, uma inquietação o invade, uma sensação de que algo está prestes a mudar. Não é medo, pois os Vortai são treinados desde jovens para enfrentar o desconhecido com coragem e curiosidade. É mais uma antecipação, um pressentimento de que sua vida está prestes a entrar em uma nova fase, um novo capítulo que desafiará tudo o que ele conhece e é.

Na manhã seguinte, enquanto o sol vermelho lança suas primeiras luzes sobre as paisagens de TRAPPIST-1e, uma mensagem chega. Não é um pedido de negociação comercial ou uma missão de exploração rotineira. É algo diferente, algo que faz o coração de Nether bater mais rápido com a promessa de aventura. A mensagem vem do Comitê Intergaláctico, uma rara convocação para uma reunião que reunirá representantes de muitos mundos, alguns dos quais Nether só ouviu falar em histórias.

Este convite não é apenas uma honra, mas um sinal, uma confirmação de seu pressentimento. Nether sabe que esse evento pode muito bem ser o catalisador para a próxima etapa de sua jornada, uma aventura que o levará além das fronteiras de TRAPPIST-1e, além até do sistema TRAPPIST-1, para o vasto e desconhecido teatro da galáxia.

Com um misto de excitação e serenidade, Nether prepara-se para a partida. Ele revisa os sistemas da Dhalion, confere os suprimentos e traça a rota para o encontro. Enquanto a nave se despede da órbita de TRAPPIST-1e, Nether lança um último olhar para seu mundo natal, sabendo que, ao retornar, trará consigo novas histórias, conhecimentos e talvez, a chave para o próximo grande mistério de sua jornada.

Este é o “meu lugar”, pensa Nether, mas à medida que a Dhalion se afasta, ficando apenas um ponto luminoso contra o vasto pano de fundo estrelado, fica claro que “seu lugar” nunca mais será o mesmo. Ele está no limiar de algo grande, algo que pode muito bem definir seu legado entre as estrelas.

E assim, com a vastidão do espaço à sua frente e a força de inúmeras gerações de exploradores Vortai atrás de si, Nether parte para o desconhecido, pronto para o que quer que venha a seguir.